sábado, 27 de março de 2010

O FILANDÊS VOADOR


Paavo Nurmi ganhou nove medalhas olímpicas nos anos 20; ele treinava correndo com uma mochila cheia de pedras e um relógio na mão
Por Nanna Pretto

Ao acompanhar o desempenho do corredor finlandês Hannes Kolehmainen nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912 na Suécia, Paavo Nurmi, então com 15 anos, decidiu que entraria para o atletismo. Até então, a corrida fazia parte da vida dele apenas nos treinos militares. Com coturno e mochila do exército, era dada a largada para a história de um dos maiores vencedores do atletismo mundial, o finlandês voador.

O modo sistemático de treinamento de Nurmi ia além dos tiros de força e intensidade nas montanhas da Finlândia –que, inclusive, eram feitos com uma mochila cheia de pedra para reforçar o exercício. Para traçar a marca pessoal e avaliar o desempenho, o atleta não fazia uma corrida sequer sem levar, em uma das mãos, o relógio de bolso. Assim, enquanto outros corredores dependiam de fiscais e anotações manuais, Nurmi tinha a própria evolução do seu tempo.

A estreia oficial de Nurmi nas pistas foi nas Olimpíadas da Antuérpia, em 1920 na Bélgica, numa competição de 5.000 m. Ele conseguiu a medalha de prata, atrás do francês Joseph Guillemot. Três dias depois, Nurmi derrotaria Guillemot numa prova de 10 mil metros. Em seguida, o atleta finlandês ganhou a corrida de cross-country individual e por equipe, levando para casa mais duas medalha de ouro.
Nos três anos após as Olimpíadas da Antuérpia, Nurmi reinou de forma absoluta no cenário da corrida de longa distância. Em 22 de junho de 1921, em Estocolmo, ele obteve mais um recorde: 30min40s2 nos 10 mil. Seu objetivo era a quebra de recordes entre as distâncias de 1.500 m e 10 mil, meticulosamente executado de acordo com a cuidadosa estratégia de planejamento de tempo.

“Quando você corre contra o tempo, não precisa de sprint. Os outros não conseguem segurar o ritmo se ele é constante e estável durante todo o percurso”, explicou Nurmi, certa vez, sobre sua estratégia de treino.
No fim de 1923, Nurmi conseguiu o recorde mundial em três categorias prestigiadas do atletismo, feito inédito entre os amantes do atletismo: a milha (1,6 km), 5.000 e 10 mil metros.

Paris, sede dos Jogos Olímpicos de 1924, assistiu à consagração de Nurmi e o aparecimento do mito. Em apenas seis dias, o Finlândes Voador ganhou nada menos que cinco medalhas de ouro. Feito até hoje inédito no atletismo olímpico.

As conquistas mais inacreditáveis foram os ouros nos 1.500 m e 5.000 m no mesmo dia. Contrariando os princípios de treinamento e recuperação, Nurmi correu as duas provas em um intervalo de apenas duas horas. Dois dias depois, sob um forte calor, Nurmi venceu os 10 mil metros no cross-country por 1min24s de vantagem e ganhou também mais um ouro no cross-country em equipe. Nos dias subseqüentes, enquanto outros corredores estavam se recuperando, Nurmi venceu a prova de 3.000 m.

Na ocasião, a revista francesa Miroir des Sports referiu-se a Nurmi como o homem “que vai além dos limites da humanidade."

Em 1925, Nurmi foi para os Estados Unidos. Durante cinco meses ele correu 55 provas, ganhou 53 delas, abandonou uma e perdeu outra. Naquela época, Nurmi era um dos estrangeiros que mais recebia atenção da imprensa norte-americana, até que começaram os apelidos: “fantasma finlandês” e o definitivo “finlandês voador”.

Nas Olimpíadas de Amsterdã, em 1928, a última em que participou oficialmente, Nurmi venceu os 10 mil e ficou com a prata nos 5.000 m e 3.000 m com obstáculos. Mas tinha mais, ele queria ainda correr em Los Angeles, onde pretendia enfrentar o desafio da maratona nos Jogos de 1932.

No outono de 1928, em entrevista a um jornal suíço, Nurmi anunciou que aquele seria seu último ciclo olímpico nas pistas. “Estou ficando velho”, comentou então com 31 anos. Corri por 15 anos e aproveitei muito tudo isso”, disse o atleta antes de embarcar para a segunda turnê nos EUA.

No retorno à Europa, garantiu mais marcas históricas. Nas seis milhas, em Londres, e nos 20 km, em Estocolmo, ambos em 1930.

Apenas na torcida
Sonhando em se despedir bem das olimpíadas, em 1932, Nurmi treinava pesado na expectativa de participar pela quarta vez dos Jogos. Talvez aquela tenha sido a temporada mais intensiva de treinos. Ele defenderia o título nos 10 mil metros, mas o grande sonho era coroar sua história com uma medalha de ouro na maratona, assim como ele, ainda menino, assistira seu compatriota Hannes Kolehmainen fazer em 1912.

Naquela primavera, entretanto, o sonho desmoronou: Nurmi foi proibido de participar de competições internacionais pela Federação Internacional de Atletismo Amador, acusado de profissionalismo. Mesmo assim, ele foi para Los Angeles, mas mantinha treinos apenas dentro da Vila Olímpica, não só pela proibição, mas porque teve uma lesão no pé. Há quem diga, inclusive que ele mal conseguia andar em função da dor.

Nurmi foi reduzido, naquelas olimpíadas, a um mero espectador. Sentar na arquibancada, entretanto, foi demais para o atleta. Ele não conseguiu assistir à disputa pelos 10 mil metros, nem a maratona que, segundo ele, teria vencido com cinco minutos de vantagem.

Uma vez suspenso, Nurmi não competiu mais em terras estrangeiras. Sua última corrida fora da Finlândia foi a vitória nos 5.000 m em Königsberg, Alemanha, em outubro de 1931. A federação custava a aceitar a alegação de que Nurmi não era um profissional. Dessa forma, ele correu apenas na Finlândia, até 1934, como um “amador nacional”. A última vitória do finlandês voador foi nos 10 mil metros em Viipuri, em setembro de 1934.
Vida paralela
Mesmo antes de encerrar a carreira de corredor, Nurmi concentrava-se em outra empreitada: executivo e investidor no mercado imobiliário. Desde a década de 20, ele vinha investindo seu capital em ações. Tanto que conquistou uma considerável fortuna, aplicada, basicamente na construção de imóveis. Em Helsinque, capital da Finlândia, existem 40 empreendimentos construídos por sua companhia. A paixão pela corrida, segundo o próprio atleta, era eterna. Por isso, nas décadas de 30 e 40, Nurmi não resistia e, algumas vezes, deixava os negócios para correr.
A 15ª edição dos Jogos Olímpicos foi em Helsinque, em julho de 1952. Até então a identidade do atleta que acenderia a tocha olímpica era mantida em segredo. Quando o placar eletrônico anunciou Nurmi, o silêncio foi geral. Instantes depois, as 70 mil pessoas que lotavam o estádio começaram a gritar o nome de Nurmi, e muitos dos presentes não contiveram as lágrimas. Nurmi acendeu a tocha olímpica junto com seu ídolo, o corredor Hannes Kolehmainen.
Passos finais
Inteligência, força de vontade e determinação para atingir qualquer objetivo, eram as principais características de Paavo Nurmi. Em seus momentos melancólicos – mais frequentes com o passar dos anos – ele se questionava sobre a importância que as pessoas davam ao esporte. “Apenas o trabalho, ciência e arte têm valores verdadeiros”, dizia.
Ao descobrir uma trombose coronária, após um infarto no fim de 1950, ele trabalhou duro na tentativa de curar a doença até 1967, quando sofreu um novo ataque. No ano seguinte, Nurmi abriu uma fundação de pesquisa para doenças do coração e de saúde pública em parceria com patrocinadores e com recursos próprios.
Ele morreu em Helsinque em 02 de outubro de 1973 e causou comoção nacional. “Recordes serão quebrados, as medalhas perderão seus brilhos, ganhadores terão suas vitórias. Mas, como um conceito histórico, Paavo Nurmi nunca será superado”, disse a então ministra da Educação Marjatta Väänänen.
Nove dias depois, Nurmi teve um funeral com honras de Estado, em cerimônia na catedral de Helsinque. Depois foi enterrado em Turku, sua cidade natal.
Após as Olimpíadas de Paris, em 1924, o governo finlandês ordenou a construção de uma estátua de Nurmi, ao mais famoso escultor do país, o artista Wäinö Aaltonen. Em 1952, mais duas cópias da obra foram erguidas em frente ao estádio olímpico de Helsinque e em Turku.
Em 1983, a estátua original, que permanecia no Museu Nacional de Arte, foi colocada em frente à faculdade de educação física da Universidade de Jyväskylä. Em 1994, mais uma cópia foi erguida e colocada no parque do Museu do Comitê Internacional Olímpico em Lausanne, na Suíça.
Medalhas e selos comemorativos foram confeccionados com imagens do atleta e até um pequeno planeta foi nomeado em honra a Paavo Nurmi. Em 1987, o banco da Finlândia imprimiu uma nova nota de dez marcos com a imagem de Nurmi em uma face e a do Estádio Olímpico na outra., fazendo do “finlandês voador” o único atleta olímpico a estampar a moeda nacional.

Identidade
Nome: Paavo Johannes Nurmi
Nascimento: 13 de junho de 1897
Falecimento: 02 de outubro de 1973
Cidade Natal: Turku (Finlândia)
Nacionalidade: Finlandês
Esporte: Atletismo
Olimpíadas: Antuérpia, em 1920; Paris, em 1924; Amsterdam, em 1928
Medalhas: 12 (9 de ouro e 3 de prata)

Medalhas Olímpicas

Antuérpia, 1920:
10 mil m – ouro
5.000 m – prata
Cross Country individual – ouro
Cross Country em equipe - ouro

Paris, 1924:
1.500 m - ouro
3.000 m – ouro
5.000 m – ouro
Cross Country individual – ouro
Cross Country em equipe - ouro

Amsterdan, 1928:
10 mil m – ouro
3.000 m com obstáculos – prata
5.000 m - prata

ANDAR NÃO É QUEBRAR


Considerada pelos corredores apenas como forma de adaptação de iniciantes, a caminhada acaba sendo vista como "quebra" por aqueles que já estão muito além dos trotes, como os maratonistas. Mas há quem defenda que ela possa ser uma ótima estratégia de prova, ao ser inserida em curtos intervalos desde o início da corrida e não quando o indivíduo chega à exaustão.
Entre os benefícios, os intervalos de caminhada eliminam a fadiga acumulada, restauram a flexibilidade dos principais músculos e reduzem a tensão dos tendões do joelho. Isso permitiria ampliar a capacidade muscular no fim da corrida, reduzir a chance de contusão, prolongar o limite do corredor, fazendo com que possa correr distâncias maiores se sentindo bem, e ajudar corredores não só a fazer sua primeira maratona como a melhorar seu tempo nela.
O tema, obviamente, divide opiniões. "Quem precisa caminhar é porque não está bem treinado. Para uma pessoa com bom condicionamento, a caminhada só serve como descanso ativo", diz Mário Mello, diretor técnico da Mario's Team e diretor de marketing da Associação de Treinadores de São Paulo (ATC). Ele admite que, em alguns momentos, a caminhada pode ser vantajosa, como numa ladeira forte, para que o corredor se recupere e possa ter melhor desempenho no plano, depois. "Mas adotar isso como estratégia de prova seria um artifício para dar uma 'roubadinha', acho que me sentiria enganado", diz Mello.
Tanto isso é verdade que o acúmulo de passos, por meio do uso de pedômetros, é uma das estratégias de combate ao sedentarismo, um problema relacionado a quase 2 milhões de mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. "Temos como parâmetro a marca de 10000 passos por dia para um indivíduo ativo, ou 3800 a 4000 feitos de forma ininterrupta, por 30 minutos. É uma forma simples e fácil de implantar a atividade física na rotina, com o objetivo de ter mais saúde", afirma o professor e pesquisador Timóteo Leandro Araújo, do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs).

No outro lado da trincheira, um dos principais defensores da medida é o treinador norte-americano Jeff Galloway, colunista da RUNNER’S WORLD. Em seu livro Manual de Corrida, cuja segunda edição acaba de ser lançada no Brasil, ele afirma que já correu mais de 100 maratonas, algumas usando essa estratégia. "O título de maratonista foi dado, desde o início, àqueles que completavam a distância por seu próprio esforço, fosse correndo, fosse andando, fosse engatinhando... Quando cruza a linha de chegada, faz parte de um grupo de elite. Não deixe ninguém tirar esse grande feito de você", escreve ele. E completa: "Em todas [as provas] que inseri esses intervalos, experimentei idêntico senso de realização".

Segundo Galloway, a caminhada pode inclusive ajudar a melhorar as marcas de maratonistas experientes, ao permitir que se aumente a intensidade da corrida, o que compensaria o tempo andando, pelas pernas estarem mais "frescas". “Não se trata de um treino intervalado, mas de um aeróbico intensivo. Todo mundo faz a segunda metade da prova mais lentamente, mas às vezes com mais de 4 minutos de diferença, o que é ruim, em função do desgaste. Os intervalos de caminhada podem fazer a pessoa aumentar o ritmo nos quilômetros finais, quando os outros estão diminuindo. E não acredito que a especificidade seja prejudicada porque você mantém a continuidade, os brasileiros é que não estão acostumados com a ideia”, diz Marcos Paulo Reis, também um defensor da caminhada.
Segundo ele, as pessoas têm medo de diminuir o ritmo ao andar e não conseguir voltar mais. O melhor, portanto, é fazer intervalos de 1 minuto a cada 5 minutos, em vez de um intervalo de 5 minutos a cada 25. "No triatlo, é comum que a cada milha o corredor aproveite o momento de hidratação para andar 200 a 300 metros. Na corrida de rua, essa estratégia poderia ser adotada em curtos intervalos nos postos de abastecimento. Ajudaria as pessoas a terem mais constância no ritmo e a se machucarem menos", diz.

TREINO DE CORRIDA


SÁBADO, 27 DE MARÇO DE 2010
LOCAL: POSTO TEXACO DA ROTA DO SOL (EM FRENTE AO "FRASQUEIRÃO")
CONCENTRAÇÃO: 15:30
LARGADA: 16:00
CONTATO: PROF. ANDRÉ FERNANDES
CREF - 1337 - G/RN
FONE: 99225910

quinta-feira, 25 de março de 2010

DEAN KARNAZES É O SEU TÉCNICO



Você não precisa ter o desempenho dele, mas use suas dicas para evoluir dentro de sua realidade de treinamento

- Ouça todos e não ouça ninguém. Faça o que for melhor para seu corpo.
"Se alongar faz bem a você e o faz sentir-se melhor, então alongue."

- Coloque sempre uma meta.
"Se for começar a correr, a primeira meta deve ser uma prova de 5 km, depois 10 km, 21 km, 42 km e 50 km em sua primeira ultramaratona."

- Acredite que você é capaz.
"Setenta por cento da sua capacidade está em sua cabeça."

- Mude os locais de treino.
"Evite sempre os mesmos lugares, varie o terreno e o visual. Isso vai estimulá-lo a continuar correndo."

- Esqueça o relógio.
"Uma vez por semana, saia correndo sem relógio, apenas com celular e dinheiro. Não se preocupe com ritmo e distância percorrida. Apenas corra."

segunda-feira, 22 de março de 2010

COMO ESCOLHER UM TÊNIS


O tênis correto para a corrida de longa distância:
Comprar um tênis de corrida nos dias atuais, não é uma tarefa que se resume simplesmente na escolha da marca, estética e beleza do par a ser escolhido. O modelo ideal deve obedecer às características individuais do pé de cada pessoa, ou seja, não há um único modelo que satisfaça a todos os corredores. Por ser um investimento caro, a escolha bem feita pode evitar problemas de contusões, lesões e prováveis visitas a um ortopedista. Com isso a preocupação com certos fatores é de fundamental importância no momento da escolha do tênis apropriado a ser comprado. Estes fatores são:

Formato anatômico do pé:
O conhecimento do formato anatômico do pé é importante, pois ajuda o indivíduo na escolha do tênis. Há vários formatos de pé, dos mais comuns são: reto, ligeiramente curvo, semi curvo e curvo. O formato do seu pé deve se aproximar ao máximo possível do tênis.

Colocando o seu pé em cima de uma folha de papel, no chão, desenhe o contorno do formato de seu pé para determinar o seu tipo, trace uma linha no papel, perpendicular em relação à linha do calcanhar e a borda interna do pé desta maneira será possível determinar o formato anatômico do mesmo. Para saber qual tênis comprar, compare-o com o desenho, isto pode prevenir futuras bolhas, calos e desconforto.

Deficiências biomecânicas:
Das deficiências existentes, vamos nos preocupar com a pronação e supinação, as quais são bem comuns.
Supinação - é uma excessiva inclinação para fora, fazendo com que a parte externa do pé suporte todo o peso do corpo.
Pronação - é uma excessiva inclinação para dentro do pé, forçando o arco a suportar o peso corporal na parte interna do pé.

Durante a corrida o impacto se torna maior, e portanto, estas deficiências são agravadas. Para saber se você e um pronador ou supinador, observe a sola externa de seu tênis usado, se a parte interna estiver mais desgastada do que a externa, então o seu pé tende à pronação, para este caso as características do tênis apropriado seriam:
a) Apoio de calcanhar de material resistente.
b) Uma sola intermediária com uma densidade maior no lado interno do pé.

No Caso da supinação os sintomas são exatamente contrários aos da pronação. Esta deficiência é pouco comum entre os corredores. Um pé supinador não absorve adequadamente o impacto, portanto requer um tênis que possua excelente distribuição de impacto. Também é útil que o mesmo tenha alguma estabilidade lateral externa. O tênis não deve possuir nenhum tipo de controle para pronação de maneira alguma.

Outra maneira de se observar a pronação e supinação é se posicionar em frente a um espelho, que mostre o corpo inteiro. Agachando-se ligeiramente (50%) se sua rótula de mover em direção ao dedão do pé, você é pronador, e em direção ao dedinho do pé, você é supinador.

Tipo de pé:
Outro fator importante no momento da escolha do tênis de corrida é o tipo de pé que o corredor apresenta: predominante rígido ou bambo. O pé rígido apresenta movimento característico de ir para frente e para trás sem oscilações laterais. Já o pé bambo tem como movimento típico a oscilação lateral, adaptando-se com maior facilidade à variação do terreno.

O supinador excessivo dá preferência para lateral dos pés, que geralmente são rígidos, sendo o tênis mais correto para amenizar este tipo de problema, um que apresentasse uma maior densidade, na parte externa, e um grau adequado de flexibilidade, não sendo necessário um controle de estabilidade.

Com relação ao pronador, que geralmente apresenta o pá bambo, o que causa um contato com solo na parte interna do pé, necessitaria de um tênis que possui maior densidade tanto na parte interna (com maior rigidez), quanto na externa. Este tipo de pé requer predominantemente de estabilidade, para tentar diminuir a ação da oscilação do pé.

Estrutura do tênis:
Um bom tênis apresenta basicamente as seguintes estruturas:
Armação ou molde - promove estabilidade, porém diminui a flexibilidade. Sua parte inferior é costurada a sola intermediaria. De acordo com a costura efetuada, o tênis oferece mais estabilidade e menos flexibilidade ou vice-versa. Na parte frontal do tênis existe um reforço com a finalidade de moldar os dedos, evitando o desgaste prematuro da parte frontal e bolhas nos dedos. Na parte posterior existe o molde do calcanhar, o qual é feito de um material mais rígido, dando um reforço na parte traseira do tênis. Muitos modelos apresentam orifícios espalhados por toda a armação a fim de que haja uma ventilação adequada.

Palmilha - é parte que se molda o pé. É feita de uma espuma, a qual é aquecida e comprimida de acordo com o formato da sola intermediária. Relativamente leve, apresenta excelentes propriedades de proteção ao pé.

Língua - parte do tênis manufaturada geralmente de espuma recoberta com tecido. Apresenta como função principal a proteção da parte superior do pé, quando o tênis estiver amarrado corretamente.

Estabilizador de calcanhar - minimiza os problemas biomecânicos do corredor.

Sistema de distribuição de impacto - podem ser constituídos de ar, gel, gás, etc... O impacto vertical é uniformemente distribuídos do calcanhar à ponta do pé.

Sola intermediária - é a camada situado entre a palmilha e a sola propriamente dita do tênis. Estrutura mais importante que compõe qualquer tênis de corrida. Ela protege o pé contra o impacto; estabiliza os movimentos excessivos do pé durante a corrida. São manufaturados em dois materiais básicos: poliuretano e EVA (Acetato Vinil de Etileno).
EVA é uma espuma aquecida e comprimida no formato da sola intermediária. É um material leve que apresenta excelentes propriedades de proteção. Pode ser manufaturada em várias densidades. A densidade não é necessariamente uniforme, ou seja, varia de acordo com a necessidade.
Poliuretano é também uma espuma, porém mais densa e pesada que o EVA. Apresenta uma facilidade de moldagem que favorece o aparecimento de novos formatos de tênis. A maioria dos distribuidores de impacto são recobertos com EVA e poliuretano. A sola intermediária oferece apoio, estabilidade e proteção com um acréscimo mínimo de peso ao tênis.

Sola externa - é a parte que entra em contato com solo, podendo apresentar várias formas, densidades e cores. As cores somente influenciam na estética. A sola externa pouco contribui na distribuição de impactos, sendo sua principal função à tração durante a corrida. As ranhuras e saliências são propositadamente manufaturadas com essa finalidade.

Conclusão:
O mais impressionante do desenvolvimento dos tênis de corrida de longa distância é o aumento do conforto e da estabilidade. Hoje em dia é possível encontrar um tênis que possua, ao mesmo tempo, estabilidade e distribuição de impacto. Os corredores são tão diferentes em tantos aspectos que não há um único tênis capaz de satisfazer a todos os corredores. Para encontrar o tênis ideal é preciso auto conhecimento do formato do pé, o grau de pronação ou supinação (se existir), o somatotipo, padrões de treinamento e competição, lugares onde se pratica corrida, etc...

Com isso, no momento da escolha de um tênis, deve-se pensar em fatores importantes como preço, peso, flexibilidade, proteção, durabilidade, largura, altura do calcanhar, grau de supinação ou pronação, entre outros. Desta forma o consumidor certamente terá uma satisfação maior no momento de usufruir de um tênis de corrida de longa distância no momento da prática da corrida.

De uma forma geral as principais preocupações devem ser as seguintes:
Experimentar os modelos sempre no final do dia, assim você estará seguro de que seus pés atingiram o grau máximo de expansão, devido à ação da gravidade sobre o corpo.
Não esquecer de experimentar o tênis, usando meia, que geralmente será usada durante a corrida, para evitar certos incômodos.
Faça testes com o tênis como andar, pular, correr, saltar, e realizar movimentos laterais com o tênis devidamente amarrado.
Observe se o formato do tênis é compatível com o formato do pé.
Procure adequar o tênis com suas características individuais de pronação ou supinação.
Lembre-se que a estética é apenas um fator secundário, sendo mais importante a funcionalidade do tênis.
A meia ideal a ser usada deve ser manufaturada em fibra sintética, pois facilita a transpiração, não apresentando costuras grossas nas extremidades.
Para evitar bolhas, não corra muito tempo com o tênis novo. Nos primeiros dias use-o apenas para andar.
Em pisos pavimentados, o tênis deve apresentar um eficiente sistema de distribuição de impacto, em terrenos como terra, grama, areia (praia plana) etc...a necessidade é de estabilidade.
A conservação deve ser feita com o menor número de lavagens possíveis, não deixando o tênis de molho, secar à sombra, em recinto arejado, o que ajudará para aumentar a vida útil do tênis.

domingo, 21 de março de 2010

HIDRATAÇÃO NA ATIVIDADE FÍSICA

A maior parte das pessoas, inclusive atletas, quando vão realizar uma atividade física encontram-se desidratados, ou seja, com um volume de água corporal abaixo do desejado.
A quantidade de água que possuímos no organismo é importante para uma série de funções, entre elas a cardiovascular e a termoregulação. A termoregulação é o controle da temperatura corporal ao longo do dia. Através dela que conseguimos manter a temperatura corporal sempre em valores constantes, o que é essencial para o bom funcionamento do organismo. Durante a atividade física o corpo gera calor e este calor precisa ser eliminado (dissipado). Se isto não fosse feito, poderíamos morrer após realizar um simples "trote" de aquecimento. Este processo é feito através da perda de água (evaporação do suor), que auxilia na dissipação do calor para o meio ambiente.
Quando a água corporal vai sendo diminuída (perdas no suor) e a reposição não é suficiente, o sangue vai se tornando mais espesso e há uma piora da irrigação. Em competições esportivas, a irrigação sangüínea pode passar a ser inadequada na musculatura ou o acúmulo excessivo de calor devido a uma dissipação insuficiente ocasiona uma queda no desempenho atlético e uma sensação de mal-estar. Em um grau avançado isto pode levar a perda da consciência e até mesmo a morte.
Um grau de desidratação relativamente pequena, correspondente a cerca de 1 a 2% do peso corporal já é suficiente para alterar o desempenho em exercícios de resistência. Além disso, pode estar elevando a freqüência cardíaca, o que pode ser muito perigoso.
Procure iniciar sempre uma atividade física bem hidratado. Para isto é necessário fazer uma boa reposição de água ao longo de todo o dia, ou seja, independente de suas atividades físicas procure beber o mínimo de 2 litros de água por dia.
Antes de realizar a atividade física, procure ingerir um pouco mais de líquidos, tendo em vista que dificilmente a reposição durante o exercício consegue ser 100% satisfatória. Bebe cerca de 500 ml de água 1 hora antes de realizar exercício.
Durante o exercício é importante fazer a reposição de líquidos constantemente. Um indivíduo costuma perder, em média, cerca de 1 litro de água por hora de corrida realizada em temperatura e umidade amenas, por exemplo. Quando qualquer um destes fatores se encontram elevados a perda de líquidos pode ser em muito aumentada!! Procure se pesar antes e logo após 1 hora de exercício para determinar a sua necessidade de líquidos.
O ideal é que a reposição de líquidos seja feita de forma gradual a cada 20 ou 30 minutos, principalmente se a duração final da atividade física for superior a 1 hora. Procure beber em torno de 300 ml por vez, assim há menos chance de se sentir estufado.
Entretanto, a hidratação no exercício é um processo que requer treino. Cada um deve se educar para faze-lo sempre!!
Procure não esperar o final da primeira hora para se hidratar, pois neste momento você já estará sofrendo alguns sintomas da desidratação, como diminuição da performance, e dificilmente a reposição será suficiente.
Quando a atividade física possuir a duração superior a 1 hora e 30 minutos, a hidratação com água pode não ser mais suficiente, pois o organismo começa a ficar depletado em outros nutrientes, como sódio e carboidratos, e a ingestão de água pode até mesmo ser tóxica. A toxicidade pode ocorrer uma vez que o sangue começa a ficar muito diluído, pois os nutrientes nele contidos estão sendo avidamente consumidos.
Em atividades físicas de longa duração (maiores do que 1h30min) deve ser feita, juntamente com a ingestão de água a ingestão de carboidratos na forma de gel ou a troca por isotônicos, também respeitando o intervalo de 20 minutos.

Graziela Friedler - CRN. 9768
Nutricionista Run & Fun
grazielanutricao@uol.com.br